Tudo pelo poder – pequeno close, um grande flerte.
Escrito por: Daniela A. Rabelo e Rodrigo Jorge
Velhos truques, algumas coisas previsíves, porém os conflitos e os diálogos, as interpretações e toda trama argumentativa fazem com que o filme: Tudo pelo Poder, fique diferente em relação aos outros filmes que narram eleições presidenciais. Nada de imagens muito fortes, mas os diálogos são potentes. A direção e a atuação de George Clooney, me surpreenderam, tornaram a película intrigante. Atuação e direção juntas, uma arma que só contribui positivamente para o filme, que diga o filme nacional “O palhaço”, Selton Melo e também os filmes de Clint Eastwood, em “Menina de Ouro”.
Flertes e closes. A política é assim. O desafio do marketing político e assessoria de imprensa – e como não relatar de Relações Públicas (RP), transita entre os fantásticos personagens de um governador, seu assessor de imprensa, coordenador de campanha e seu oponente e encontros sexuais com sua estagiária. Bill Clinton se assustaria ao saber que a loira da relação acaba sendo uma escada do idealista assessor. E o jogo de intrigas frente a uma ética comunicacional duvidosa se sustenta em uma trama de interesses que transita entre o político e o individual.
É uma aula de cinema. E de política. E de RP. E de vida. Entre uma América desiludida do governo Obama, com muitos signos de sua campanha inclusive seu pôster promocional, percebe-se uma trama com muitos pontos de virada. A ingênua perspectiva do assessor de imprensa – que intitula-se casado com a campanha do governador Thompson, vai se dispersando tal qual um dos posters promocionais do filme – em vidro grosseiro se embaça e se distorce. O flerte acaba sendo com tramas que podem levar – e provavelmente o levam – a presidência. Close na ética. Flerte na política. Com diria Chico Buarque, “a gente quer ter voz ativa, no nosso destino mandar, mas eis que chega a roda viva e carrega o destino prá lá… Palmas para a direção de Clooney e vivas para Philip Seymour Hoffman e Paul Giamatti. Uma aula de jornalismo também para Marisa Tomei, excelente como Ida. Uma aula de ética em comunicação, vale conferir.


