Artigo: meu brother faz de graça

“Meu brother, primo, tio, faz de graça”.

Quem nunca ouviu isso que atire a primeira pedra? Calma, vou explicar. Nada justifica o comportamento do mercado publicitário – dos quatro cantos do Brasil – vem lidando com as relações comerciais. Já ouvi de vários possíveis clientes que seu sobrinho, mais novo, cria sua logo de graça. (Convenhamos, não só o mercado publicitário.)

Não estou com nenhuma pedra em minhas mãos e também não quero jogar ela em ninguém. Vou soprar poeira, terra, elemento que forma a pedra, em algumas questões, para tentar transformar comportamentos do mercado em sucesso de crescimento e exemplo.

Comunicação Social sempre foi desprezada pela alta sociedade de modo geral. O grande lance é outra coisa?! Existe um estigma social, ou o jovem presta vestibular para Direito ou para Medicina. Assim pensam as famílias geralmente. Basta reparar no vestibular da USP, medicina continuou como um dos cursos mais concorridos, seguindo em segundo lugar a educação física, que não deixa de estar ligado a mesma área. Repare também nas Faculdades abarrotadas de turmas de Direito e Medicina.

Saturado também está o mercado para esses profissionais. Calma, não estou desmerecendo ninguém, pelo contrário, necessito deles para viver e sobreviver. Veja o argumento do publicitário abaixo.

Conversei com um Diretor de Arte uns tempos atrás. Pessoa experiente, 30 anos de mercado. Ele me falou que um amigo lhe pediu para criar uma logo. O diretor de arte passou os valores de criação, e detalhes de todo manual de identidade visual. Gastou tempo com o amigo, e mesmo assim o amigo argumento contra, negativamente ele disse: “os valores são muito altos para algo tão fácil de fazer, meu cunhando instalou um programa no computador e me disse que daria de graça a logo. Consultei outros publicitários, amigos, e eles me disseram que dariam a logo de graça se eu fizesse o anúncio de inauguração da loja no jornal mais popular da cidade por meio deles”, reclamava o empresário.

Em seguida o diretor de arte contra-argumentou: “a logo da sua empresa é a coisa mais importante para o surgimento dela, é a porta de entrada de todos os seus sonhos. Não deve ser elaborada, gerida por qualquer um, é um trabalho profissional, além de muito íntimo. É como fazer o parto de um filho ou defender um acusado inocente. Não quero desmerecer seu cunhado, mas, ele tem formação para isso? Publicidade, desenho industrial, design gráfico, trabalhou um tempo com isso? E os seus amigos publicitários, se eles fossem mesmo seus amigos ai que eles te cobrariam de alguma forma e não barganhando com coisas em troca. Todo profissional bem sucedido deve valorizar seu trabalho financeiramente”, argumentou o publicitário.

Acredito que esse panorama está mudando. A área de comunicação, no ponto de vista financeiro está crescendo mesmo que lentamente, porém relações desse tipo devem ser questionadas sempre. Não quero ser atendido por um profissional de Medicina ou Direito não qualificado.

Precisamos ser diferentes e fazer a diferença, sempre! Crescimento e desenvolvimento para o mercado para que todos cresçam com ele.

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